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Há uma ideia muito errada sobre o envolvimento das mulheres no futebol masculino. Vou, por isso, falar-vos um pouco da minha experiência pessoal. O Futebol sempre foi uma das minhas grandes paixões; começou com o apoio a um só clube, o Sporting Clube de Portugal, e foi crescendo à medida que eu também fui ficando mais velha. Houveram três jogadores decisivos neste meu interesse e paixão pela bola, de seus nomes Luís Figo, Rui Costa e Cristiano Ronaldo, por razões óbvias que escuso de explicar e que nada têm a ver com a aparência física dos senhores. Sim, a minha paixão pelo futebol nada tem que ver com aquilo que vulgarmente se diz. Há mulheres, que tal como eu, não acompanham o futebol pelas “belas pernas e penteados dos jogadores” mas sim pelo desporto em si e as emoções que ele nos transmite. Apesar de ser uma adepta confessa dos verdes e brancos, tento sempre ser imparcial e ver o jogo pelo jogo, talvez o facto ter convivido diariamente durante quase 18 anos com um grande Homem que era benfiquista acabou por fazer, como referi anteriormente, com que uma das minhas referências no futebol, fosse jogador do eterno rival leonino, e com que visse o jogo dos diferentes ângulos. Há ainda outra coisa que não concordo neste mundo dos 11 contra 11, diz-se por aí à boca cheia que cada pessoa só pode ser adepta de um clube, abolindo os outros por completo da sua área de apoio. Tenho a dizer, e sei que muitos de vós irão ficar chocados, que eu sou adepta de dois clubes da primeira liga portuguesa e de vários de outras ligas europeias. Há seis anos descobri uma nova paixão futebolística, portanto, como costumo dizer: sou do Sporting por amor e da Académica de Coimbra por paixão, e porquê?, não sei, simplesmente há coisas que não se explicam, apenas se sentem; e o futebol é um mundo de sentimentos à flor da pele. Desengane-se quem pensa que nos jogos entre estes dois clubes eu tomo partido de um dos lados; nada disso, sofro pelos dois e fico feliz pelos dois. São os únicos dois jogos em todo o campeonato que chego ao final feliz seja qual for o resultado. Estranho, não é?

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Além dos leões e da Briosa, sou adepta confessa de emblemas europeus como o Real Madrid, o Inter de Milão, Manchester United, Chelsea, Bayern, etc., vibrando com estas equipas mais a nível de competições europeias como a Liga Europa e a Champions League do que propriamente ao nível dos campeonatos nacionais de cada um. A mim, enquanto pessoa, o futebol trouxe-me mais coisas boas do que más. Conservo amigos que fiz por causa da bola e que se tornaram indispensáveis na minha vida, sendo um deles a pessoa mais imparcial que conheço no mundo do desporto e a quem recorro sempre que preciso de um tipo esclarecimento (podem consultar os artigos dele ali no menu no canto superior direito onde diz opinião futebolística). Os noventa minutos de nervos enquanto vejo um jogo servem de calmante natural e de abstracção de todos os outros mundos existentes dentro de mim. Continuo a vibrar com os jogos da nossa selecção, relembro com saudade aquele jogo contra Inglaterra no Euro2004 em que, quando o Ricardo tirou as luvas, reparei que com os nervos tinha desfeito uma fita de costura à dentada. Sou daquelas que vibra no estádio apesar de não ver metade dos lances, de não perceber se é ou não fora de jogo quando a equipa está a atacar para a baliza oposta ao local onde estou e se as faltas são mesmo faltas, mas sejamos sinceros, quando estamos no estádio a apoiar uma equipa, qualquer encosto de ombro, por mais acidental que seja, é vermelho para o adversário. Sim, sou daquelas que chama nomes ao árbitro e aos jogadores quando fazem asneiras. Sou daquelas que no calor do momento quero que o treinador se demita, e no jogo seguinte se correr bem, digo que é o melhor do mundo. Sou daquelas que ponderam tudo e não acham isto ou aquilo bem só porque está directamente ligado com o meu clube, e não digo Ámen a tudo o que os dirigentes dizem só porque sim. O futebol corre-me nas veias e o coração bate mais forte sempre que o árbitro faz o apito inicial. Sou daquelas que acha que vai ter um ataque do coração quando um jogo está a ser intenso e enervante, e sou daquelas que chora quando, ao fim de décadas, um dos meus clubes conquista um troféu ou quando perdem uma final. E sim, na impossibilidade de faltar a uma missa, já fui de rádio portátil para a capela só para ouvir a final da então Taça UEFA quando o Sporting foi finalista.

Sou uma mulher com vários mundos dentro de mim, e este talvez seja um dos maiores.

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