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Chegou o dia mais hipócrita do ano. Há quem diga que o Natal é que o dia mais fútil do ano inteiro. Eu não acho. Para mim, não há dia pior que o “dia de todos os Santos” ou “Dia de Finados” ou “Dia dos Mortos”, como lhe queiram chamar. Não tem a ver com a sua origem, ou com o seu significado original, é mesmo por causa daquilo em que se tornou. Fortunas em flores e velas são gastas nesta altura, só para garantir que “a campa do meu familiar está mais bonita que a do vizinho”. Pior que isso ainda é o facto de haverem sepulturas abandonadas um ano inteiro, sem uma única visita de familiares, e que neste dia estão completamente adornadas, com uma quantidade tal de flores que, exagerando um pouco, davam para ser distribuídas pelo ano inteiro. Não tenho nada contra quem não vai aos cemitérios, não me interpretem mal; eu própria não gosto de ter essa obrigação; gosto de lá ir quando sinto essa necessidade e não tenho obrigatoriamente de levar flores e/ou velas, vou porque por vezes é lá que me sinto mais próxima de quem já partiu. Outro aspecto que me faz imensa confusão é o facto de haverem pessoas que passam o dia inteiro junto das sepulturas, por respeito ao morto, dizem, mas que na realidade durante todo o dia falam de tudo e mais alguma coisa sem o mínimo de respeito por quem morreu. Volto a repetir, cada um faz o que quer e aquilo em que se sente bem, mas não deixa de me fazer alguma confusão. Se não vou ao cemitério neste dia? Vou. Vou de manhã antes de começar toda a confusão do dia. Continuo a achar que não é por ir lá neste dia que demonstramos a nossa dor, saudade e respeito por quem morreu, até porque aquilo que as pessoas pensam sobre o assunto, a mim pouco me importa. Continuo a achar que o melhor respeito que podemos mostrar por quem já morreu, é fazendo o que podemos enquanto são vivos e precisam, e que não é uma vela e um ramo de flores bonito que o vai demonstrar. A mim, muitas das vezes, esses gestos só demonstram algum arrependimento e vaidade, dependendo claro, de caso para caso, e de quem o faz. “Há de tudo como em todo o lado!” Não quero atingir nem chocar ninguém, simplesmente acho este dia uma montra de vaidades e isso continua a fazer-me confusão. E volto a frisar aquilo que digo vezes e vezes sem conta: Façam o que podem enquanto as pessoas são vivas, que depois de mortas, não precisam de mais nada.

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