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10899686_518341038305617_2137039959_nO RAP nunca foi um dos meus estilos musicais de eleição, mas há letras que nos tocam de forma especial seja qual for o estilo. Apresento-vos aquele que fez com que eu trocasse os Green Day por um novo cd no rádio do meu carro e que passou a ser, muitas das vezes, a minha companhia auditiva nos 40kms entre o trabalho e casa. Chama-se Luís Martelo e tem como nome artístico LuKá EmmE. Um rapaz que luta a ferro e fogo pelo seu sonho e que é um exemplo de humildade e perseverança para todos nós. Como sabem, não sou jornalista, portanto apresento-vos uma conversa em jeito de entrevista que me foi concedida por ele. Espero que gostem, para mim é um enorme gosto ajudar a divulgar um artista com tanto potencial.

 

Hélia Branco (H.B.) – Antes de mais, obrigada por me concederes esta entrevista. É um orgulho, para mim, poder ter esta conversa com aquele que acho ser um dos melhores rappers nacionais em ascensão.

H.B. – És natural de Barcouço, uma aldeia do concelho da Mealhada, e foi aqui que passaste parte da tua vida e onde manténs parte dos teus amigos e da tua família. Que papel tem esta terra e estas pessoas na tua vida enquanto homem e artista?
LuKá EmmE – Barcouço também conhecido por aldeia vermelha, tem uma personalidade própria e característica estipulada no seu povo. É gente de raça, dura, rebelde, e nisso identifico-me bastante, acabo por carregar um pouco do peso dessa raça comigo e tentar honra-lo tanto na vida como ao passar certas vivencias nas minhas músicas e indiretamente várias vezes essa raça de aldeia que me corre no sangue. Mas a minha geração e as que vieram depois da minha, sinceramente, (e não generalizando porque há excepções felizmente) aproveitaram isso da forma errada estando muito ligados a um estilo de vida sem rumo e violento e por ai fora… É uma terra com muita gente nova e todos juntos nesse estilo de vida fazem estrago, e é nesta parte que ao crescer deixei de me identificar com eles e tive até vários problemas com isso, porque a minha opinião contrária à deles e o enfrentar alguns, várias vezes trouxe-me conflitos francamente desnecessários… Tudo porque tenho um irmão mais novo que me custa que cresça num sítio que já foi tão melhor do que é e que não aceito que se tenha tornado uma terra estranha para mim. Óbvio que tenho toda a maior parte da minha família paterna lá, a casa onde cresci, família que amo de coração mas com quem a minha vivencia não é muito saudável após o divorcio dos meus pais que foi quando toda a minha vida desabou a nível pessoal, guerras familiares, de cabeça quente defendi um, depois defendi outro, ataquei e fui atacado, tive várias guerras com o meu pai que são graves e me deixam feridas que vou carregar toda a vida,  por culpa minha outras por culpa dele, ou mesmo que eu estivesse correto devia ter-me calado porque era meu pai, se fosse hoje em dia não agiria da mesma forma. Mas com uma família de personalidade forte sempre metida ao barulho tornou-se louco viver assim para um miúdo, que era o que eu era e no fundo ainda sou, foram tempos horríveis que me destruíram grande parte de uma vida que nunca voltará a ser a mesma no que toca a família. Depois com a minha mãe senti-me perdido, quando após a defender de tudo ela arranjou um namorado repentino e me deixou na mão, na altura fui dormir para casa de um amigo de favor, ou seja de repente vejo-me de costas para pai e mãe, por culpa minha ou deles, não importa, os filhos é que sofrem sempre nestas histórias. Mas defendi o que achava correto e hoje em dia quem me dera ter evitado tudo isso e poder ter a minha família toda junta. E pronto a minha família será sempre a minha família e só quero que saibam que os amo, que não sou perfeito mas também tenho as minhas mágoas e acabei por ficar sozinho no mundo ao abandono com isto tudo… e todos sofremos com isso, até eles, tenho a certeza que lhes dói não me ter lá. Mas o orgulho nesta família sempre falou mais alto…
H.B. – Pegando numa das tuas últimas músicas, a “Quem me dera ser criança”, há uma frase que me chamou a atenção: “Se mantiveres estes sonhos, vais manter a chama acesa”. Que sonhos de criança se mantêm presentes e te faltam realizar?
LuKá EmmE- Eu considero-me criança ainda, e pretendo continuar a ser, enquanto o formos estamos vivos. Não falo de criança a nível de ser imaturo porque acho que não sou de todo, muito pelo contrário, mas no aspeto de sonhar, de viver a sorrir, de tentar acreditar ainda na paz e no amor, viver com um brilho nos olhos. E basicamente os meus sonhos eram todos os que falo nessa música, mas o maior sem dúvida era ser músico e realizei-o. Há um que sempre tive e não o realizei, que era ser também arqueólogo ou paleontólogo. Sempre pesquisei muito, passava tardes a partir pedras para encontrar fosseis e levava baldes deles para casa em adolescente e ainda lá estão todos em exposição nos armários, outros a enfeitar vasos de flores por ai fora. A minha zona é uma zona calcaria com bastantes cursos de água, grutas e bastantes vestígios de que o mar já existiu ali e então com bastante facilidade a encontrar fósseis. Sou fanático por tudo o que é antigo, história e natureza fascinam-me e ainda hoje passo noites a ler e a ver documentários. Foi um sonho por realizar mas que vou realizando todos os dias ao estudar e instruir-me a mim próprio. Adoro divagar sobre todos os porquês das coisas e formar as minhas próprias opiniões e não seguir a linha de opinião geral. Tive uma grande professora de história durante oito anos, Sandra Strecht que até hoje ainda chamo de mami. E sonhos atuais são poucos, repito o mais importante de ver a minha família junta de novo incluído os que já não estão entre nós (apenas um sonho), levar a minha música longe e espalhar as minhas mensagens que nelas transmito. E a cima de tudo o meu sonho é não morrer sem ver todos os meus amigos que fui deixando espalhados por todo o lado onde passei e vivi.
H.B. – Uma das letras que mais me tocou, e na qual me revejo desde que a ouvi pela primeira vez é a “eu sei que sou capaz”, nomeadamente na frase “(…) foi com fogo no peito que este sonho começou/só queria honrar o meu cota/ser o orgulho do meu avô(…)”. Quem importância têm estes dois Homens na tua vida?
LuKá EmmE – O meu pai já referi toda a nossa história, mas há um antes disso e um depois disso. O meu pai até aos meus 15 anos trabalhou fora e só o via aos fins de semana, ele sustentava a família, vinha cheio de carinho e era uma felicidade vê-lo, lembro-me de mal dormir na véspera de ele chegar para lhe contar a semana para brincar com ele, o meu pai era o meu único super herói. Depois veio toda essa confusão aos 21 anos. Mas há um ano atrás consegui pedir-lhe perdão e ele não pediu porque é uma pessoa muito fria e também magoado com tudo o que se passou, mas eu vi um “amo-te” e um “desculpa” nos olhos dele desde ai várias vezes. Foi graças a ele que estudei, que fui para o conservatório e para a banda do exército, ele apoiava muitíssimo e seguia-me sempre, foi sempre um guerreiro e também nunca teve muita sorte na vida e mesmo assim não desiste. Está-me no sangue ser duro… O rap ele nunca apoiou mas vi o brilho nos olhos dele quando dei o  concerto na feira da Mealhada e lhe dediquei uma música, vi um orgulho em mim silencioso de cima do palco e sorri. Vi uma quase lágrima cair-lhe quando me deixou no aeroporto para arrancar na primeira tour no estrangeiro, no Luxemburgo, senti o aperto de mão frio mas forte de como quem dizia “afinal conseguiste, estou orgulhoso”. Amo o meu pai e cada vez o admiro mais.
O meu avô… O meu único e grande  ídolo… É difícil falar sem me emocionar… Devo-lhe tanto da minha sabedoria, um homem culto, vindo de angola com a minha avó e filhos e netos, sobreviveu à guerra, à revolução. Contava-me histórias lindas que até hoje recordo, fazia piadas com tudo o que tinha vivido de difícil lá. Era um homem que lia muito, ainda hoje a biblioteca dele permanece lá em casa, uma centena de livros de certeza, de tudo um pouco, sempre a querer aprender mesmo quando já nem os óculos o deixavam ler as letras maiores. lembro-me de lhe dizer “oh vô mas estás a ler esse calhamaço? Tu já não vês nada disso” e ele sorrir e dizer ” não da mal, aprendo mais a ler devagar aqui do que a ver televisão, só mostram o que não interessa”. Era um homem muito à frente para a geração dele, criou-me, vivemos sempre na mesma casa, adorava ir deitar-me na cama dele a falar com ele e a imaginar a historias que me contava. Mas com a tal separação familiar e eu ter ido sozinho pelo mundo fora, (fui parar em V.N.Milfontes que para mim será sempre a minha terra), sentia um medo gigante de não o voltar a ver derivado à idade. Felizmente ainda fui a tempo 4 anos depois ao regressar a casa de visita, mas com um avc que teve e não o deixou reconhecer-me, acho que de todas as dores que senti até hoje foi a pior de todas, ver o meu velhão, o meu professor e amigo e ele nem saber quem era o neto que ele sempre amou tanto, ate hoje não me perdoo por isso, por ter ido tarde de mais. A dor piorou após essa visita a casa, eu ter partido de novo, desta vez então para a tour no Luxemburgo e antes de um concerto, ia para subir a palco e recebo uma sms do meu pai a dizer “o avô morreu”, acho que me senti a coisa mais pequena que possam imaginar, tão frágil, tão miserável, nem sei explicar… E lá fui eu para palco a sorrir com vontade de me ajoelhar e deixar-me ficar a chorar ali mesmo. Hoje em dia só quero honrar o nome de família que me deu, dai exigir respeito quando referem “o martelo”, e honrar o orgulho que ele tinha de ter o neto musico como sempre dizia. Descansa em paz, amo-te sem fim, olha por mim e em breve estarei ao pé de ti meu ídolo…
H.B. – Sendo tu um artista que começou com o trompete e o jazz, como entrou o RAP na tua vida?
LuKá EmmE – O rap entrou como uma necessidade de expressar-me também por palavras e não só pela sonoridade e notas da minha trompete. Sempre amei escrever, sou um romântico de natureza, amo divagar sobre historias, vivências, opinar sobre tudo, e tentar tirar de tudo uma mensagem positiva e  passar essa mensagem aos outros. E então encontrei esse refugio no rap. Bases não tão distantes do soul, blues e jazz como muitos pensam, batida forte para embalar uma boa historia da tua vida e mensagem a cima de tudo. Nunca tive grandes influência e sempre mantive um estilo muito próprio no rap, quando comecei era um estilo ate bastante criticado e haviam dois ou três parecidos, alguns rappers ou não… do movimento underground diziam não ser rap e hoje em dia já há centenas a fazer a mesma onda, e caminhamos lado a lado com os outros estilos se rap e cada vez há mais união, estou orgulhoso da evolução da cultura hiphop em Portugal. Na altura lembro-me de ouvir muito Da Weasel, Xeg, Sam the Kid, mais tarde Regula e Valete e por ai fora fui entrando já tarde nesta cultura, mas ainda a tempo de tornar real o sonho que vivo hoje.
H.B. –  É público o teu passado ligado às drogas e à violência; queres falar um pouco sobre como esse envolvimento começou?
LuKá EmmE – Bem, não é fácil falar sobre isto… A violência veio quase obrigatória, nunca fui mau rapaz nem nunca quis ser, nem  fiz mal a ninguém sem razão. Sempre me defendi da forma que pude e tentei fazer o bem, sem querer usando o mal às vezes. Ao sair de casa fui para longe viver em terras de gente dura onde eu era um estranho e tive de me defender e impor algum respeito para não me deixar pisar, já bastavam as dificuldade de estar sozinho e tantas vezes sem comida nem teto, não podia deixar que me fizessem mal, então era quase instinto de sobrevivência, durante alguns anos sentia-me quase um bicho do mato, andava a vaguear por praias sozinho, pelos pinhais e por ai fora sempre solitário, vivia a natureza e com o que tinha, tinha saído da tropa há pouco tempo, com uma boa formação militar, e com a ajuda de algumas pessoas também que foram aparecendo e agradeço a Deus por todos eles estarem comigo. Várias vezes então havia a cena do “não és daqui pias baixo” e eu claro enfrentava, que podia fazer? Era a lei do “ou dás ou levas” ou como costumava dizer “apanhar sei que devo apanhar por isso mal por mal dou também”. E eu defendia sempre toda a gente “mais fraca”, qualquer coisa la estava o “Martelo” (como diziam) a defender os amigos. Os amigos safavam-se porque eu era duro, sim é verdade, sempre fui corajoso, ou talvez inconsciente, mas no fim eu é que estava sempre aflito a safar-me por ajudar toda a gente…até que cresci. Hoje em dia já não sou assim, quero paz, tranquilidade, música, um bom vinho e um filme à lareira e amigo e mais amigos que  felizmente sempre tive muitos por ser tão diferente da maioria. As drogas vieram no seguimento de todos este problemas, perdido, comecei-me a dar com gente que me fazia sentir seguro, malta da noite, e não me alongando muito foi apenas uma fase  e que mal disse a mim próprio “chega”, chegou mesmo, vai da cabeça de cada um e da força interior que cada um tem, só me sinto triste por ter cometido estes erros, alias toda  a minha vida foi quase um erro que hoje em dia levo como lição e sou um homem completamente diferente e tento acordar melhor a cada dia.
 H.B. – Em que medida, este passado te fez crescer? E que conselhos tens a dar aos teus seguidores em relação a este assunto?
LuKá EmmE – Aprendi que posso viver com pouco, ser feliz com coisas simples, que nada se dá por perdido e que desistir não existe no meu vocabulário, aprendi a ter fé, acreditar em Deus de uma forma que nunca pensei acreditar, agradecer cada dia que acordo, que como, que durmo debaixo de um teto e cada peça de roupa que visto. Aprendi a valorizar as pessoas, aprendi a dar a mão e que hoje sou eu amanhã podes ser tu, aprendi que não consomes droga, é ela que consome a ti, aprendi que a vida é dos duros e que há sempre uma luz de esperança. Aos meus seguidores só quero dizer que ao ouvir o meu exemplo e outros mais, repensem que não é fixe ser mau, não é fixe bater, não ta na moda fumar, ergam as mãos por terem uma família, uma casa e um pão e aos que não têm, que continuem a tentar porque “deus não dorme” e só dá duras batalhas aos duros guerreiros.
H.B. – Falas várias vezes em Bruno Castro como tendo sido ele a “salvar-te”. Que importância tem este senhor na tua vida?
LuKá EmmE- O Bruno é, sem desfazer da minha família, a pessoa mais importante da minha vida, dava a vida por ele porque foi ele que me deu a vida de novo. Eu dormi na rua em V.N.Milfontes durante alguns meses, muita gente nem sonhava, porque eu acordava nas dunas, tomava banho no balneário de um hotel onde eu ia ao ginásio e ia dar os meus concertos, quando vinha dos shows esse dinheiro era para comer e la ia eu dormir nas dunas depois de ser artista por mais uma noite. Quando não havia dinheiro ia ao marisco para falésias enormes, luta pela sobrevivência, apanhava o que podia, vendia uns perceves, ou comia-os mesmo crus e outra coisas mais. Até que o Bruno um dia pegou em mim e disse “vem trabalhar para o meu bar, ajudas-me, comes lá e bebes e dou-te roupas…” e por ai fora… E assim foi, comia, calçou-me e vestiu-me várias vezes e com o dinheiro que me ia dando de o ajudar fui-me orientando, comprando as minhas coisas, alugando casa… E então foi nesse bar que recomecei a cantar, a organizar festas, conhecer novos artistas, meter-me de novo no mercado, pois estamos a falar do bar que rebentava com a noite na costa alentejana, noites loucas acreditem. E a partir daí ganhei um irmão mais velho ou um pai emprestado, já não passei mais natais na rua nem aniversario como aconteceu antes, ia sempre para casa dele com a família como aliás ia quase todos os dias de qualquer forma, conversávamos de tudo… É um amigo, um ombro, e tem uma família que amo como minha, mulher, filha, irmãos e mãe, gente joia que me recebem como um filho. Nunca conseguirei pagar o que ele fez por mim, e repito, dava a minha vida por ele, é a pessoa que mais me custa ter longe agora… Homem com H grande e como ele há muito poucos, bom coração, humilde e lutador, um homem que veio das obras e foi conquistando até ter os melhores bares da região e as maiores festas nas mãos dele.

10893557_518341058305615_1150842667_nH.B. – Eu conheci o teu trabalho através da mítica atuação no ECC onde foste o animador de serviço, e é público o teu envolvimento com o clube e com a sua claque. Que importância têm a Mancha Negra e a Académica na tua carreira?
LuKá EmmE – A Académica é o meu clube, o meu grande amor do deporto, é a tradição, é Coimbra, é a alma da minha cidade e o retrato histórico de Coimbra num emblema que carrega tanto para contar. É o brio de pertencer a uma equipa com tantos e tantos anos de luta e de história, o mais antigo clube profissional do pais, a minha Briosa. A importância na minha carreira é a inspiração que me dá para homenagear o meu grande amor. A Mancha Negra, são um suporte brutal, não há outro igual, devo-lhes muito do que aprendi nos últimos anos, a ser como sou, são gente guerreira, humilde que lutam por causas justas, que falam bem e falam mal, mas que estão lá, estão sempre presentes. Amigos, companheiros, de jogos de bola, de concertos, de conselhos e apoio. Foram eles que me projetaram muito para os meios de comunicação social e me realizaram o sonho de editar uma música num CD, no álbum da MN que se chama “Eu sou Briosa”, em 2012. Nunca vou esquecer, foi muito importante para mim a nível de realização pessoal, profissional e pelo carinho que tenho por eles e estarmos juntos numa faixa. Arrisco mesmo a dizer que sem Mancha Negra não haveria o Son e hoje em dia sem eles nem sei se haveria Académica. É uma honra ser um MN85 !
H.B. – É sabido que és o autor das tuas próprias letras. Onde vais buscar tanta inspiração?
LuKá EmmE – Olhando à volta, vendo o sofrimento e os problemas das pessoas, nas minhas histórias, nos meus amores e paixões, nas desilusões, no mundo atual com falta de valores e de ética, e dai tento criar uma mensagem que fala as pessoas verem os erros e terem esperança. Analisando factos históricos e a sociedade de hoje em dia, resumindo…procurando a paz em palavras!
H.B. – Para mim, és uma das grandes promessas do RAP nacional. Como vês o facto de, no nosso país não te ser dado o devido valor e de ser preciso viajares, por exemplo para o Luxemburgo, para teres reconhecimento?
LuKá EmmE – Toda a gente sabe que o nosso país é injusto e só dá valor ao que não tem valor, porque falta cultura ao povo também. Como é que um Zé Cabra ou a Casa dos Segredos fazem sucesso e muitos artistas a escorrer sangue e suor para dar algo que valha a pena ler e ouvir, algo que ensine e instrua não? Como digo no som “Isto sou eu”: “O nosso povo preza mais ser informado do que formado”. Mas sinceramente? Não quero saber, vão ter de papar comigo queiram ou não, com sucesso ou sem sucesso, os milhares que me seguem já são família e um a um vamos mudando mentalidades, nós estamos para ficar e só no dia que gritarmos vitória juntos é que vou pensar o que Portugal tinha para me dar e não deu. Sou português com orgulho, mas não aceito submeter-me a esta máfia organizada e capitalista que nos governa em todas as áreas. A voz do povo sempre foi e será a mais forte, o dia chegará.
H.B. – A chegada de 2015 foi passada num estúdio a trabalhar longe de família e amigos; acreditas que, por todos aqueles que te seguem, este esforço vale a pena?
LuKá EmmE – Por eles vale sempre a pena, se não fossem eles eu não estava aqui, não faria o que gosto, não saia feliz de cada show pelo carinho deles, não sorria todos os dias com as mensagens de apoio que me enviam, eles são tudo para mim, por isso lhes chamo Família. E até no meu nome estamos juntos, se inverteres o meu nome, eu e eles somos o mesmo: SON | NOS . Só agradeço a Deus por todos os que trouxe até mim e que venham mais para animar a malta.
H.B. – No dia 4 de Janeiro escreveste: “A minha vida foi como as ondas no mar, recuar um pouco para avançar de novo, (…)Mas sabes quando a terra treme e a onda recua tanto que avança em forma de tsunami? Pois, a vida fez-me tremer tantas vezes que o Tsunami formou-se e cá estou, esta onda gigante que veio para invadir (…)” Quando é que nos vais “invadir” com um novo álbum?
LuKá EmmE- Sem certeza absoluta, mas em princípio em Fevereiro sai o álbum à venda Online, mais tardar em Março. E só posso dizer aos que gostam do meu trabalho que não se vão desiludir e é dedicado a todos vocês
H.B. – O que podemos esperar de ti e do teu trabalho daqui para a frente?
LuKá EmmE – Cescimento com base no que temos feito até aqui, humildade, muitos sons novos, artistas convidados, procurar mais temas que vos façam sorrir ou chorar dependendo da forma que toca a cada um, sentimento e muita alma como sempre procurei trazer ao meu trabalho. 2015 vai ser sem dúvida o nosso ano, não tenho mesmo duvidas disso.
H.B. – Fizeste uma publicação no teu Facebook pessoal no dia 17 de Julho do ano passado em que dizes: “Deus abençoa os bons no tempo certo”. Acreditas que és uma pessoa abençoada?
LuKá EmmE – Completamente, por várias razões. Se não fosse não estaria vivo após tanta coisa má, não teria os amigos brilhantes que tenho em todo o lado, não teria a música, os meus fans e seguidores, não teria esta força e sorriso com que acordo todos os dias. E tenho a paranoia de que quando escrevo muitos sons, é “Ele”, a ditar-me cada palavra, para que a mensagem chegue a todos. Já olhei para letras minhas centenas de vezes e pensar “não eu não escrevi isto, isto não veio da minha cabeça, eu nunca teria esta ideia ou diria isto desta forma”, perguntando-me várias vezes se serei realmente eu a dar estas mensagens… Serei? Se for “Ele” então não me importo de ser um mensageiro do Pai. Com diz o Gabriel o Pensador “Não sou o dono do mundo mas sou um filho do dono, do verdadeiro patrão, do verdadeiro patrono”… De qualquer forma sou sim abençoado porque acredito que todos nós somos, cada um com uma missão diferente para aprender uma lição diferente.
Estamos Juntos Família

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