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SONY DSCPor vezes fazemos figuras de urso. Por vezes somos uns grandes idiotas. Há alturas em que somos egoístas e não percebemos o quanto magoamos quem nos ama com as nossas atitudes. Afastamo-nos, deixamos família e amigos preocupados, e tudo porque não nos amamos a nós próprios. Tudo porque não percebemos a dor que nos corrói por dentro e que parece não nos deixar respirar. As lágrimas vão caindo, e aos poucos percebemos que não conseguimos estar sozinhos, mas que em contrapartida também não conseguimos estar acompanhados e decidimos afastar-nos do mundo, afastar-nos de nós, e acreditar que como por milagre alguma força vinda do além, ou de um outro universo, nos vai fazer reagir. Abrimos a nossa conta de e-mail e vemos dezenas de mensagens por ler, mensagens de carinho, de amor, de preocupação e algumas mesmo de revolta; mas preferimos ignorar, não responder, mesmo sabendo que quem nos tentou contactar fica ainda mais preocupado. Desligamos o telefone durante meses. Ninguém consegue chegar até nós, ou pelo menos ninguém obtém resposta a tudo o que nos diz. Deixamos dezenas de pessoas preocupadas. Afinal há mais gente a gostar de nós do que as que imaginávamos. Mas mesmo assim continuamos indiferentes. Refugiamo-nos em teorias sem sentido e acreditamos que é tudo culpa do Universo, que numa outra qualquer galáxia existe um outro eu que é feliz e que não magoa ninguém nem mesmo a si próprio. Não conseguimos perceber que estamos a cair cada vez mais na solidão. Pensamos que quando decidirmos voltar para os nossos amigos, para a vida, eles vão lá estar de braços abertos para nós, sem ressentimentos, que vão esquecer meses de indiferença e abandono. E não é só abandono físico, é acima de tudo abandono emocional. Somos parvos ao ponto de não perceber que não conseguimos ser felizes sem a presença de outras pessoas, que o amor que elas nos dão se transforma em amor próprio, e que fazer sorrir alguém é a maior dádiva do mundo. Não percebemos que há várias formas de amor, e que cada uma das pessoas com quem partilhamos a nossa vida nos ama à sua maneira. Se calhar está na hora de acordar. Ligar o telefone e ligar de volta às pessoas que durante todos estes meses não desistiram de nós, não desistiram de nos tentar perceber, e mais importante de tudo, não desistiram de nos amar. Não somos ninguém sozinhos, está na hora de nos sentarmos em frente ao computador, responder a todos os e-mails dos últimos meses e depois ir festejar com os amigos, com os que nos amam, o facto de estarmos vivos e querermos ser felizes. Está na altura de nos deixarmos de comodismos e crenças num destino pouco promissor e lutarmos por aquilo que realmente queremos. Está na hora de pedir desculpa por todo o sofrimento e angústia causados a tanta gente. Está na altura de sermos nós próprios. Está na hora de sermos felizes.

Gil

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