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mulher escrevendoSomos ingratos com a vida. Não damos valor a quem nos rodeia nem à vida que temos. Nunca estamos contentes com nada e esquecemo-nos de dizer um simples “obrigada” a quem realmente faz alguma coisa por nós. Achamos que é uma obrigação dos outros fazer algo para que sejamos mais felizes e esquecemo-nos de ajudar na felicidade dessas mesmas pessoas. Queremos ser felizes, dizemos. Queremos mudar de vida, sair daquilo que conhecemos e partir em busca de algo novo. Largar a árvore sem perder as raízes. Voar em direcção ao desconhecido na esperança que para lá da linha do horizonte haja algo que nos vai tornar melhores. Eu não sou excepção. Sim, quero mudar de vida. Sim, quero partir para outro lado na esperança de me realizar pessoal e profissionalmente. Quero deixar tudo para trás sem me desligar de quem me é mais próximo. Vivo cada dia com as energias canalizadas em apenas três coisas: fazer o meu trabalho o melhor que posso e sei, encontrar algo novo noutro lado de forma a estar mais próxima daquilo que realmente quero, e ser útil para as pessoas para quem sou realmente importante. Sinto que esta não é a minha zona. Sinto que isto é tudo demasiado pequeno para mim e que pertenço a algo maior, com mais horizontes, mais oportunidades e mais pessoas. Não quero ser mal interpretada, sim gosto de onde sou, mas não tenho como objectivo de vida ficar confinada a uma povoação de 200 pessoas quando posso pertencer a uma cidade de milhares. Não fecho, de todo, a porta à partida para outro país, mas de momento as minhas ambições prendem-se mais com a capital. Muita gente pensa que ao dizer isto sou incenssível, que estou a virar as costas a família e amigos e que não estou a medir as consequências, mas será que é preferível ficar e não ser feliz em detrimento da felicidade dos outros? Será que quem realmente gosta de mim seria feliz ao ver que estava a adiar os meus sonhos e as minhas ambições? Posso chegar lá, estar um período de tempo e realmente perceber que estava enganada, mas se não for, ficarei sempre com a sensação de que podia ter mudado a minha vida, que poderia ter sido mais feliz e que me acomodei só porque sim. As despedidas são sempre difíceis, mas por vezes são necessárias para nos conhecermos a nós próprios. Não tenciono afastar-me das pessoas que gosto. Já o fiz uma vez e arrependo-me todos os dias disso. Além da minha família, tenho alguns amigos do meu lado que incentivam, apoiam e ainda ajudam a que eu alcance os meus objectivos. Amigos que, quer mude de vida ou não, vão sempre acompanhar-me e dos quais não volto a afastar-me de forma alguma. Sem irmãos de sangue mas com irmãos de alma. Este poderia bem ser o meu lema de vida. Poucos mas bons, que sabem todos os meus segredos, as minhas metas, os meus limites, os meus objectivos e que estão sempre comigo, seja só para me ouvir, sem mais nada, ou para fazer tudo por tudo para que eu, nem que seja por umas horas, fique mais feliz. A eles devo um enorme obrigada. E é a eles que tantas vezes me esqueço de agradecer. É a eles que me esqueço de dizer que os adoro e que tenho saudades. Os amigos são a família que escolhemos e eu tenho a sorte de ter duas famílias como há poucas, tanto a de sangue como a de coração, porque família é quem está sempre presente, quem nos conhece, quem gosta de nós pelo que somos. Admito que me é mais fácil exprimir sentimentos pela escrita do que cara-a-cara. Talvez por isso não seja habitual ouvirem-me dizer um adoro-te. Mesmo pela escrita, muitas das vezes essas mensagens vão “escondidas” no meio de um texto qualquer, um bocado por ter medo de ser mal interpretada, ou porque se calhar até tenho vergonha de dizer o que realmente sinto. Prefiro demonstrar por acções do que por palavras. Perco muito com isso, e poderei chegar a pôr a minha felicidade em causa à custa disso mesmo. Tenho noção disso e um medo enorme de mudar. Pode ser que um dia destes isto tudo mude, que não tenha receio de dizer as pessoas um simples adoro-te cara-a-cara ou mesmo um “é a ti que eu quero”. Enquanto essa mudança não acontece, vou continuar na luta por um futuro que me fará mais feliz.

Hélia

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