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women_lady_girl_b_w_black_and_white_day_dreaming_life_sadOntem, no expresso entre as cidades de Lisboa e Coimbra, assisti a uma lamentável cena que me deixou bastante incomodada e a achar que o senhor que vinha sentado atrás de mim, era uma das pessoas mais asquerosas com que alguma vez me cruzei. Isto tudo por causa dos constantes telefonemas que, durante as mais de duas horas de viagem o homem foi recebendo e fazendo e que passo a transcrever, uma a uma.

Chamada 1:

Sr. – “Tou! Já estou no autocarro para Coimbra!”

(resposta do outro lado do telefone)

Sr. – “Já te disse que não vou para casa! És sempre a mesma merda! Não quero que venham ter comigo não! o teu lugar é em casa ao pé dos garotos! Tira da cabeça isso de que tenho amantes! Se continuas com essa conversa já sabes o que te acontece!”

(fim da chamada)

Chamada 2:

Sr.- “Olá M., meu amor, como estás? Sempre vens ter comigo a Coimbra?”

(resposta do outro lado que suponho eu, tenha sido negativa)

Sr. – “Ok, desta vez passa, mas vem ao menos tomar o pequeno almoço amanhã, tenho saudades tuas!”

(resposta da Sra)

Sr. – “Não duvides do que te digo! Tu mexeste comigo! Quero-te muito! Um beijo doce!”

(fim da chamada)

Chamada 3:

Sr.-“Olá minha Linda, como estás? Estou a morrer de saudades tuas!”

(resposta da senhora)

Sr. – “Olha L., queres vir passar a noite comigo? Vou estar sozinho em Coimbra e podíamos matar saudades!”

(resposta da senhora)

Sr. – “Ok meu anjo, adoro-te! não te esqueças disso! Tenho saudades das nossas noites!”

(fim da chamada)

Chamada 4:

Sr. – “Tou! O que é que tu queres outra vez? Já te disse que hoje não vou para casa! Vou para um hotel que amanhã tenho de me levantar cedo!”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Lá estás tu com o paleio da família! Eu sei que sou casado contigo há mais de 15 anos!”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Não te ligo? Eu já te disse que não tenho mais ninguém!”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Tás tás, tu deves querer festa! Deixa-me em paz! eu passo aí em casa amanhã antes de ir para o aeroporto!”

(fim da chamada)

Chamada 5:

Sr. – “Tou! Desculpa não ter atendido mas estava ao telefone com a estúpida da minha mulher!”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Oh homem, eu tenho mais é de viver a vida, se posso estar com outras, para que vou estar com aquela que já conheço há uma vida?”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Não se preocupe! Eu dou-lhe bem a volta e ela nem se apercebe que é traída!”

(fim da conversa)

Chamada 6:

Sr. – “Estou meu anjo! Olha, não tenho nada marcado para hoje, não queres vir passar uma noite romântica a Coimbra?”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Vá lá, dizes que vens em negócios. Preciso tanto de te ver! Sabes que só tu é que me fazes sentir bem!”

(resposta do outro lado)

Sr. – “Vá, vou ficar à tua espera à porta do hotel meu amor! um beijinho enorme minha linda!”

(fim da chamada)

Esta última chamada coincidiu com a chegada a Coimbra. Não tive coragem sequer de olhar para a cara do homem. Pareceu-me tudo tão desapropriado, tão desajustado, tão incrivelmente injusto para com a única senhora que era tratada com violência que não podia deixar de partilhar. Este homem podia ser pai, marido, namorado, filho de um de nós. Se fosse uma mulher, seria apelidada dos nomes mais ofensivos que existem…sendo homem, é o quê? Garanhão? Normal? É uma pena que ainda hajam pessoas a agir assim na sociedade em que vivemos.

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