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E o seu ser era dele, lentamente as suas palavras fizeram dela sua, como uma escrava da sua vontade. Cada palavra por ele dita eram como correntes de escravidão que a faziam querer mais e mais. Sabia que era sua, e que ele era o seu senhor sem nunca o ter tido, pois a sua mente era dele independentemente da vontade da sua alma. Era sua prisioneira e a mente dela adorava. 

Nunca pensou que alguém a pudesse controlar desta forma, muito menos pensou que iria gostar desse mesmo controlo. Acabara de descobrir que era um ser passivo e que gostava de ser dominada por uma pessoa que apesar de mal conhecer, sabia querer até ao resto dos seus dias. Nem sempre era uma relação fácil. Ela continuava com a sua forma de ser intempestiva, impulsiva e queria que ele fosse só dela, que lhe desse atenção, que tivesse planos para uma vida em conjunto. Sentia-se triste, insegura, por vezes até revoltada, mas sentia que valia a pena. Sentia, cada vez mais, que se havia alguém com quem queria partilhar a vida, seria aquele homem.

Ele era um ser misterioso. Sempre com um olhar distante, como quem não se quer comprometer com a vida. Um verdadeiro leão a lamber feridas deixadas por lutas passadas contra animais quase tão ferozes como ele, mas que ele sempre vencera. Ele não queria admitir que tinha aparecido uma leoa, vinda de outro grupo, disposta a lamber as feridas com ele. Não queria acreditar que alguém o poderia acompanhar no reinado desta selva que é a vida, porque se achava um ser solitário e pensava que assim tinha de permanecer para conseguir vencer.

Mas o impensável aconteceu. A menina insegura e impulsiva tornou-se numa leoa forte e guerreira. O leão deixou o seu coração petrificado amolecer. E assim começou a luta, nem sempre fácil, com avanços e retrocessos, com cedências, umas humanas, outras animalescas, mas com a certeza de que iriam vencer, sempre juntos. Sem medos.

H.B.

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