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ondas-inverno-viana-castelo-1100x641O olhar perde-se na imensidão do mar. O dançar das ondas transmite-lhe paz e tranquilidade. Tem vontade de chorar, não percebe bem porquê. Mesmo sendo Novembro, tem vontade de se descalçar e sentir a água fria nos seus pés. Nada se compara ao cantar do mar às 23h, sem pessoas por perto, só com um abraço reconfortante por

parte de quem ama. A praia traz-lhe recordações de outros tempos, de quando era realmente feliz e onde as suas únicas preocupações eram se comia gelado de nata ou de pistachio.

Olhar o mar faz-lhe relembrar momentos que não irão voltar, em que corria paredão fora para ajudar a tirar aquele peixe, ou em sentido contrário para ir comprar a bolacha americana. Passaram 15 anos. A praia sofreu alterações, o paredão foi remodelado, o parque infantil parece muito menos aliciante e no largo principal existem prédios novos cheios de apartamentos, que ocuparam o lugar das pequenas casas de pescadores que existiam até uns anos atrás. Mas o mar, o bater das ondas nas pedras e o cheiro são exactamente os mesmos.

E de repente a rapariga de 25 anos sente-se novamente uma criança de 10. As lágrimas começam a cair e ela sente um beijo na testa e um aconchego contra o peito em jeito de: Estou aqui, não precisas de te sentir insegura.
Sentiu-se protegida, amada e todas as inseguranças desapareceram.
Por vezes basta um abraço e um retrocesso a tempos passados para realinhar energias.

Por vezes basta perceber que há confusões a mais na cabeça sem motivo que devem ser eliminadas.

Por vezes basta uma onda mais forte a bater nas rochas para perceber que se formos fortes, nem os grandes colossos nos derrubam, e que até acabam por se moldar perante nós.

H.B.

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