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10 de Julho de 2016, o dia em que Portugal parou!
Finalmente acabou o nosso triste fado de perder em fases finais do Europeu, finalmente, depois de muito sangue, suor e lágrimas, fomos campeões!

Chorei, chorei muito…quando o Ronaldo caiu após a falta do Payet, quando ele colocou a braçadeira no braço do Nani…fez recordar a final da Luz, frente à Grécia, quando o jovem Cristiano de apenas 19 anos era o rosto da desilusão, a chorar como uma criança a quem roubam de forma brusca o seu brinquedo favorito…12 anos depois lá estava ele novamente, no chão, impotente, a chorar como uma criança por não poder a lutar pelo título que lhe fugia desde cedo, por não poder continuar a ajudar a equipa a alcançar o objectivo traçado um mês antes. Lá estava ele, a chorar como uma criança, frágil, inconsolável, onde, acredito eu com todas as minhas forças, que a maior dor não era a do joelho esquerdo mas sim a dor de ter de desistir do jogo em prol da equipa, de não poder jogar mais naquela que era a final de uma vida, naquele que era o jogo de consagração de todos os portugueses.

Durante mais de 10 minutos fiquei em silêncio, sem saber o que pensar, sem reacção, a acreditar apenas que tinha sido uma falta estratégica..afinal de contas toda a gente sabe que aquele é o ponto mais fraco do nosso capitão, toda a gente sabe que se o quiser eliminar dentro de campo, é acertar certeira e firmemente no joelho esquerdo…Contudo, depois de ele sair de maca, destroçado, senti (como penso que todo o país sentiu) que estava ganho, que mais do que nunca merecíamos ganhar, não só pela equipa, não só por todos os portugueses mundo fora, mas principalmente pelo nosso capitão! Ele que falha um penalti e continua com toda a força, ele que motiva qualquer colega, ele que chama o Moutinho e lhe dá a força e confiança necessárias à marcação de um penalti, ele que depois de cair no chão aos 7 minutos volta a entrar em campo duas vezes desafiando as dores e o razoável da mente humana! Não conheço mais jogador nenhum que o fizesse!

Já fora de campo vimo-lo como nunca antes, um verdadeiro líder, companheiro de comando do Fernando Santos, motivador nato! A acreditar na força dos jogadores quando eles mesmos já não acreditavam!

E depois entra o Éder…admito, no momento em que ele entrou, ao mesmo tempo que pensei que era o fim, tive esperança que ele marcasse e nos calasse a todos, incluindo a mim…e marcou, e calou, e o país rendeu-se ao rapaz que semanas antes todos tinham criticado…já sabemos que no futebol rapidamente se passa de bestial a besta, neste caso o Éder passou de Besta a Bestial! E merecidamente…Todos fomos injustos com ele, assim como somos com muitos “Éders” que há por esse país fora e que criticamos por algo que lhes corre menos bem sem sequer nos preocuparmos em saber o que está por trás, e aqui falo não só no futebol, falo também na vida!

Mais do que a felicidade de termos sido campeões europeus frente ao país anfitrião, mais do que a alegria de termos vencido aqueles que tanto nos criticaram (irónico não é? vencemos os que nos chamaram nojentos, que disseram que jogamos feio e que não teríamos hipóteses, com um golo daquele a que há uns tempos chamámos de cocho, de pino, de poste, daquele que dizíamos ser injusta a sua convocatória…já pensaram que não fizeram connosco mais do que o que fizemos com um dos nossos? A vida é mesmo um eco, e só recebemos aquilo que transmitimos…) este Europeu foi uma lição para todos nós! Aprendemos que quando há vontade podemos alcançar o que desejamos, aprendemos que, ao trabalhar em equipa, mesmo que fiquemos sem um elemento chave, podemos chegar a bom-porto mantendo-nos unidos e em sintonia, aprendemos que nem a maior das dores nos impede de lutar pelo que mais ambicionamos, seja de que forma for. E aprendemos, sobretudo, a não julgar sem conhecer o que está na base…

Posto tudo isto só me resta agradecer…aos 23 escolhidos, à equipa técnica, ao Éder, ao Cristiano…vocês deram-nos a vitória de uma vida!  Obrigada por numa semana me fazerem chorar de alegria mais vezes que nos últimos 25 anos!

Hélia

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