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Chega a uma altura das nossas vidas em que parece estarmos perdidos(as). Em que todos ao nosso redor estão felizes, com emprego estável, relações sólidas e duradouras, casados e, alguns, até já com filhos.

E depois existimos nós.

Temos entre 20 e 35 anos, solteiros e sem perspectiva de ter uma relação sólida, muito menos de casar e ter filhos.
Nós que constantemente somos questionados sobre se não casamos, sobre se não saímos de casa dos nossos pais, sobre se não arranjamos um emprego melhor, ou pelo menos estável.
Nós que, apesar de jovens adultos, somos encarados por todos, e se calhar também por nós mesmos, como adolescentes imaturos que não sabem bem o que fazer da vida.

Mas sabem, já nos bastam as nossas próprias dúvidas, as nossas próprias angústias.
Vocês, que acham que somos “uns irresponsáveis mimados a viver à custa dos pais” já pararam para pensar que se calhar nem tudo o que acham está correcto?

Já pensaram que se calhar nos dói não conseguir, num futuro tão próximo quanto desejado, uma estabilidade pessoal e profissional que nos dê hipóteses de soltar as amarras que nos prendem ao nosso porto seguro para que possamos seguir o nosso rumo?

Já pararam um bocadinho para perceber que, se calhar, se estamos com trabalhos precários e a receber remunerações que em nada dignificam todo o nosso percurso até aqui, é porque estamos a lutar e a investir na experiência para que possamos ser cada vez melhores profissionais?

Têm noção que tudo o que nos dizem em relação às nossas vidas, soa como se houvesse uma fórmula perfeita para viver?
Que nos faz pensar como se fossemos umas “Ovelhas negras” da sociedade que estamos a perder a oportunidade de viver a nossa vida de forma “normal” só porque daqui a uns tempos já seremos (segundo os vossos padrões sociais):
– demasiados velhos para namorar (porque isso é coisa de gente nova),
– demasiado velhos para casar (porque parece mal casar muito tarde),
– demasiado velhos para ter filhos (porque depois quando os nossos filhos nascerem já seremos mais velhos que a maioria dos pais dos amiguinhos deles).

Sabem, nós jovens adultos, se calhar até somos demasiado responsáveis, se calhar ponderamos demasiado cada passo que damos, se calhar estamos só a investir no nosso futuro e na nossa felicidade, se calhar estamos só a criar estabilidade emocional e financeira para podermos ser pais e podermos fazer aos nossos filhos tudo o que hoje em dia os nossos pais nos estão a fazer a nós.

Sempre que tiverem a tentação de fazer uma dessas perguntas e afirmações, pensem que se calhar, a pessoa que está à vossa frente até está a passar por um desgosto amoroso, que se calhar até está em constante procura de um emprego melhor ou de mais trabalho, que se calhar, mas só se calhar, até se vai ficar a sentir mal por achar que é uma pessoa estranha por, com a idade que tem, ainda não ter namorado, filhos e uma casa soalheira.

Lembrem-se que, apesar de jovens, também temos problemas, também temos angústias, também sofremos, mas muitas das vezes, para não magoar quem realmente se preocupa connosco, não o demonstramos.

Lembrem-se que já foram jovens, lembrem-se que cada um tem a liberdade de gerir a sua vida da forma que melhor entender.

Acima de tudo, gostava que se lembrassem, que soubessem, que pensassem, que nunca sabemos o que a outra pessoa está a pensar. E lembrem-se que as palavras podem ferir mais que punhais.

Antes de falar, antes de afirmar aquilo que acham correcto, lembrem-se que a vossa verdade pode não ser a verdade do outro.

Hélia

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