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Sempre foi uma pessoa forte, determinada, com sonhos, que lutou constantemente pelo que queria e que abraçou todas as oportunidades.
Sempre foi uma pessoa alegre, pronta para ajudar, pronta para abraçar cada desafio onde precisassem dela como se fosse um objectivo pessoal.

Nunca virou as costas a nada, mas agora está cansada.

A força anímica é cada vez menor, o corpo dela começa a ressentir-se, a não aguentar o ritmo desenfreado em que vive e já não se consegue concentrar com nada.
Sente que não a entendem, porque aparentemente não tem motivos para se sentir em baixo.
Tem o trabalho que sempre quis, faz parte de grupos que sempre desejou, faz actividades que a enriquecem…e ninguém percebe que está cansada…Ninguém quer saber do que precisa, do que sente, continuam todos a “convocá-la” para mais trabalhos, para mais actividades, para mais desafios e, como sempre fez, aceita de bom grado…seria incompreendida se não  fizesse, seria julgada se não aceitasse, mas ela está de rastos, está a quebrar, cada dia que passa sente-se mais cansada.
Chegou, recentemente, à conclusão de que já não se conhece a ela própria…no final de contas ela é uma mistura de todos os outros, dos sonhos dos que a rodeiam, daquilo que os outros esperam dela, e esqueceu-se do que sonhou, do que deseja, do que quer fazer para se sentir bem…esqueceu-se de si.

Dia após dia vai definhando, vai ficando mais fraca, mais cansada, mais triste…
Está a morrer aos poucos e por muito que lhe custe tem de adiar o que a rejuvenesceria por colocar tudo e todos à frente da sua própria felicidade…

Palavra estranha para ela esta…”Felicidade”. Há muito que não sabe o que é, há muito que não ri com vontade, há muito que sorri por obrigação.

Perguntam-lhe se está bem por hábito e ela responde que sim por costume, mas a realidade é que o seu coração está cinzento, triste, cansado.

Um dia, quem sabe, pode ser que alguém a entenda, alguém perceba a falta que lhe faz um abraço, a falta que lhe faz um “estou aqui para o que precisares” acompanhado com um beijo na testa.

Pode ser que, um dia destes, alguém perceba que ela também é humana, que também tem sentimentos, que também precisa dela mesma.

Quem sabe, um dia destes ela volta a sorrir.

Hélia
Num dia cinzento de Outono
Onde a saudade por dias luminosos invadiu o seu coração

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