Nasci num país livre.

25-de-abril-celeste-caeiro-colorido.jpg

Nasci num país livre.

Cresci num país livre que ao fim de 45 anos continua a lutar contra as ideias impostas por uma ditadura política que comandou o país durante décadas.

Vivo num país onde a mulher ainda é vista como um ser inferior por grande parte da população.
Onde se acha que o lugar da mulher é na cozinha, ou a cuidar dos filhos. Onde se acha que a mulher deve casar e ser uma ótima fada do lar.

Vivo num país onde uma mulher ter uma profissão maioritariamente ligada ao mundo masculino faz com que duvidem das suas capacidades.

Vivo num país onde a diferença salarial entre homens e mulheres ainda é notória.

Vivo num país onde cada vez que uma mulher diz que não quer ser mãe é olhada de lado como se estivesse a cometer o mais horrendo dos crimes.

Vivo num país em que se julgam as pessoas pela sua orientação sexual, ainda que em surdina.

Vivo num país que devido à sua história recente, ainda vive com um medo que nos cabe a todos dissipar.

Mas vivo num país onde há uma minoria (espero eu) de jovens nascidos pós-revolução, que teimam em dizer e apregoar que “no tempo do Salazar é que era bom!” e que “O Salazar era um grande homem”.
Estas pessoas que me desculpem, até porque não faço ideia de quanto é que o senhor media, mas recuso-me a aceitar tais afirmações.

Prefiro viver num país de eterna mudança a viver num País amordaçado pelas mãos e ordens de alguém que não me deixa ser livre e que prende e tortura por alguém ter ideias diferentes das suas.

Prefiro ser olhada de lado por não ser uma “Fada do Lar” a precisar de autorização do meu marido para estudar ou para poder sair do país.

As minhas formas de expressão de eleição são aquelas feitas através da Arte, seja pela escrita, pela música, pela pintura, ou qualquer outra forma de expressão artística, e não me vejo a viver num regime ditatorial onde tudo tivesse de ser visto e revisto por homens que zelavam pelos interesses “do país” com um lápis azul em punho.

Talvez por ter nascido na zona de Coimbra me tenha sido inconscientemente incutido este lado mais liberal, de exprimir o que bem entender de uma forma Livre.

Bem sei, e todos deveriam saber, que a Revolução não foi aquele mar de rosas que tantas vezes se pintam, e que os tempos imediatamente a seguir em nada foram fáceis para os Portugueses. Mas agradeço, agradeço a cada uma das pessoas que tornou a nossa Liberdade possível, até porque…

…não concebo, de forma alguma, viver num país onde não pudesse estar a escrever este texto.

25 de Abril de 2019
45 anos depois do primeiro dia do resto das nossas vidas

 

P.S.: Parem de confundir Liberdade com Libertinagem…

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: